Serviço de internet pode sobrecarregar e falhar? | Avast

Nilton Kleina, 12 de Junho de 2020 10h0min0s CEST
Nilton Kleina, 12 de Junho de 2020 10h0min0s CEST

Infraestrutura complexa impede que aumento no tráfego gere uma pane geral, mas usuários podem sentir desequilíbrios na conexão em tempos de isolamento social

A pandemia do novo coronavírus trouxe preocupações sobre o ambiente digital que não existiam ou pareciam distantes, como aplicativos governamentais de rastreamento e golpes envolvendo serviços de videoconferência. Ao mesmo tempo, o isolamento social fez com que muitas pessoas ficassem em casa, trabalhassem na modalidade home office, assistissem aulas à distância ou simplesmente jogassem games e acessassem redes sociais. Não é exagerada a generalização ao dizer que estamos usando a internet em maior intensidade e por um maior período.

Porém, será que isso significa um perigo de sobrecarga? Recordes de acesso poderiam resultar em uma falha geral que deixasse todo o sistema inacessível por algum tempo, assim como acontece com eletrodomésticos? Há, de fato, motivos para essa preocupação, mas nada a ponto de um acontecimento catastrófico.

Estrutura de rede

Quando o seu dispositivo faz um pedido de acesso a um site, o processo é imediato. O que não enxergamos é que, na verdade, ele depende de uma infraestrutura complexa e um longo caminho. Em uma das pontas, fica o seu roteador — um ponto de acesso. 

Acima, há o backbone, a "espinha-dorsal" da rede, com alguns cabos que conectam os servidores entre si, e outros submarinos, que estabelecem a conexão em níveis internacionais. Ao navegar, você ativa parte desse trajeto, que pode estar mais ou menos congestionado.

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Nesse sentido, provedores de banda larga e empresas de telecomunicações, que garantem esse serviço aos usuários, não estão sozinhos. Eles são supervisionados constantemente por agências reguladoras especializadas, responsáveis por verificar não só o funcionamento do sistema, mas também a capacidade dessas companhias em períodos diferenciados.

Crise geral?

Sabendo disso, é preciso reconhecer: apesar de reforçada e de prever picos de uso, a estrutura da internet está longe de ser infinita em sua capacidade ou à prova de falhas. Porém, isso não significa que veremos uma pane total, como uma sobrecarga que a prejudique em larga escala e deixe partes inteiras do planeta sem acesso.

Esses sistemas são construídos para aguentar números muito maiores do que os já registrados e estão prontos para momentos como o atual. Falhas técnicas, como cabos rompidos, são mais prováveis do que uma sobrecarga por pessoas conectadas. Aliás, como já passamos sem grandes sustos pelos meses de março e abril, em que mais países estavam em isolamento mais rígido, é possível acreditar que não veremos esse tipo de crise.

Por aqui, o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI) e o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) garantiram que a "resiliência" da nossa internet, ou seja, a capacidade de aguentar acessos em larga escala, é exemplar. Já a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) publicou uma série de projetos com o objetivo de manter a estrutura operando.

Impactos específicos

A internet não deve parar de funcionar de uma hora para outra, nem por isso os serviços podem ficar tranquilos. Plataformas de streaming, por exemplo, anunciaram no começo da pandemia a redução na qualidade da transmissão para aguentar o aumento de tráfego sem comprometer a experiência. Assistir a uma série com uma nitidez levemente reduzida é melhor do que pausar o vídeo a todo momento para carregar.

Sites podem demorar mais para carregar, já que a quantidade de solicitações aumentou. Além disso, o compartilhamento de uma única conexão Wi-Fi por todos os membros de uma casa, por exemplo, pode trazer algumas dores de cabeça; afinal, ninguém quer ficar sem o jogo online, a videoconferência ou o streaming em um período como esse.


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* Original em inglês.