Dicas

Controle parental: filhos realmente precisam disso?

Andre Munhoz Pinto, 3 Agosto 2017

Em homenagem ao dia dos Pais, discutimos hoje como crianças podem ser protegidas online sem deixa-las sentindo-se perseguidas

No artigo que publicamos ontem em relação ao dia dos Pais, falamos sobre uma pesquisa que fizemos com 1.800 pais brasileiros e que apontou para o fato de que uma em cada cinco crianças no país já acessou um conteúdo indevido para sua idade, sendo que na maioria dos casos elas tiveram acesso a material pornográfico ou de violência.

Os dados são alarmantes. Abaixo está um detalhamento dos conteúdos indesejados acessados pelas crianças e adolescentes no Brasil, subdivididos a seguir em faixas etárias:


Acessou um site ou aplicativo que continha malware

32% de 3-6 anos

21% de 7-10 anos

17% de 11-14 anos

Acessou um site ou aplicativo que continha conteúdo adulto

50% de 3-6 anos

48% de 7-10 anos

69% de 11-14 anos

Acessou um site ou aplicativo que mostrou ou promoveu violência

47% de 3-6 anos

43% de 7-10 anos

25% de 11-14 anos

Acessou um aplicativo com compras, que resultou numa cobrança em dinheiro

21% de 3-6 anos

17% de 7-10 anos

17% de 11-14 anos

Como pode ser visto acima, o problema não é apenas o acesso a um conteúdo indevido, mas também ações indevidas, como download de malware e compras descabidas que podem resultar em roubos de dados e perda de dinheiro, respectivamente. E você pai pode ser um dos responsáveis por isso.

Segundo a pesquisa, três em cada cinco brasileiros com menos de 18 anos usam um smartphone, mas apenas 17% dos seus pais usam um aplicativo de controle parental para monitorar o que seus filhos estão fazendo. Um terço dos pais entrevistados não sabia que os aplicativos móveis de controle parental existiam e outro terço disse pensar que seus filhos eliminariam o aplicativo se o encontrassem no dispositivo que utilizam.

"As crianças têm uma curiosidade natural, e muitas vezes são ainda mais avançadas e experientes em tecnologia do que seus pais, mas isso não significa que estão emocionalmente prontas para o conteúdo que acessam. A orientação parental é muito importante”, explica Gagan Singh, VP Sênior e General Manager Mobile da Avast.

A Avast iniciou este ano um trabalho junto às operadoras de telefonia norte americanas para a instalação de aplicativos de controle parental nos aparelhos vendidos nos Estados Unidos e o mesmo projeto já está sendo negociado com operadoras na América Latina, incluindo o Brasil. A ideia é promover este tipo de ferramenta para que os pais aprendam a mexer e os filhos entendam que não se trata de perseguição.

Um aplicativo como esse pode ser configurado para impedir que sites relacionados em uma lista não sejam acessíveis ou para que o acesso à internet seja cortado remotamente, evitando que crianças não fiquem penduradas na internet mesmo quando pais estão fora de casa, portanto, dessa forma, pais não precisam ficar monitorando cada site acessado e mensagem enviada pelos seus filhos, mas sim colocam limites claros sobre o que (e quando) pode ser acessado.

Isto dito, é importante enfatizar que um aplicativo de controle parental é apenas uma ferramenta para ajudar na proteção de crianças online, mas o sucesso de seu uso vai depender também da relação interpessoal entre pais e filhos. Se em casa as crianças não confiam ou não respeitam seus pais, então a chance de um aplicativo de controle parental funcionar é muito baixa. E aí fica a pergunta: um aplicativo de controle parental é realmente necessário?

A palavra está com você, leitor. Você já usou este tipo de aplicativo? Se não, você acha que isso funcionaria com seus filhos?