Dicas

Os perigos que seus filhos enfrentam na internet podem não ser o que você pensa

Emma McGowan, 15 Janeiro 2021

Os pais precisam se adaptar aos novos riscos que as crianças encontram na internet hoje em dia

Pais da geração X e Y cresceram lado a lado com a internet. Eles conheceram a web por linha discada e, mais tarde, entraram de cabeça no Facebook e outras mídias sociais. Mesmo que as pessoas dessa faixa etária sintam que conhecem bem a internet - e até certo ponto conhecem mesmo - isso não significa que os perigos que enfrentaram quando eram crianças conectadas sejam os mesmos enfrentados pelas crianças de hoje.

Essas gerações eram aconselhadas a nunca dizerem seus nomes verdadeiros na internet. Isso gerava muitos apelidos vexatórios em aplicativos de mensagem instantânea. O meu, por exemplo, era MadonnaMinime. Também recebiam alertas sobre os perigos em salas de bate-papo e conversas privadas. Todo mundo que, aos 12 anos de idade, já ouviu falar sobre “cibersexo” sabe que isso é verdade.  Diziam para gente nunca revelar nossos endereços (o que também é um bom conselho nos dias de hoje).

Mesmo que o aliciamento online ainda seja uma preocupação, as crianças de hoje enfrentam muitos outros obstáculos que talvez os pais não tenham consciência. Isso é compreensível! Muitas dessas coisas não eram um problema quando eles eram crianças, simplesmente porque a tecnologia de hoje ainda não existia. Assim como nossos pais provavelmente não tinham um bom entendimento sobre tudo o que se passava na internet quando nós eramos mais jovens, é razoável dizer que, de forma similar, os pais de hoje também estão no escuro. 

Mas aqui vai um fato sobre a vida adulta: você sabe mais sobre o mundo do que seus filhos, independentemente do quão proficiente eles sejam no TikTok. A psicoterapeuta Catherine Knibbs, que criou o termo cibertrauma* para descrever como algumas experiências online podem ter efeitos negativos nas crianças, encoraja que os pais se lembrem sempre disso, mesmo que eles não tenham muita afinidade com a tecnologia.

“Estão nos dizendo que as crianças sabem mais sobre o espaço cibernético do que nós”, diz a psicoterapeuta. “Isso não é verdade, porque nós sabemos mais sobre pessoas e o tipo de conversa que elas desenvolvem. Então nós sabemos mais sobre a internet do que elas”, complementa.

Com isso em mente, é bom estar ciente que pode haver perigos que você ainda não tenha conhecimento. Então aí vai uma descrição rápida dos perigos que as crianças podem encontrar na web hoje em dia, de acordo com a melhor pesquisa sobre o assunto já realizada. Espero que isso ajude você a se preparar melhor para guiar seus filhos pelo mundo digital.

Cyberbulling

O cyberbulling é um enorme problema online em muitas plataformas que as crianças visitam. No que se refere às mídias sociais, o estudo britânico The Annual Bullying Survey 2017, Ditch the Label* (“Pesquisa anual de bullying de 2017, abandone o rótulo”, em tradução livre), 42% dos jovens já enfrentaram cyberbulling no Instagram, 37% no Facebook, 31% no Snapchat e 10% no YouTube. O bullying também acontece em plataformas de games que permitem que jovens joguem juntos de forma virtual.

De acordo com a UNICEF, uma em cada três crianças foi vítima de bullying online* nos 30 países em que a pesquisa foi realizada. Enquanto o estudo Geração Lockdown, feito pela Avast*, sugere que os pais estão cientes sobre esse problema (89% deles dizem se preocupar sobre isso), o cyberbullying ainda é um fenômeno relativamente novo. Isso significa que muitos pais podem estar inseguros sobre como lidar com isso ou avaliar essa questão. 

Knibbs diz que uma das coisas a se atentar é que, diferentemente do bullying ao vivo, o cyberbullying pode ser apenas um exemplo traumático. Quando realizado pessoalmente, o bullying é definido como um padrão comportamental, não um evento isolado. Como o bullying online pode ser muito mais impactante, Knibbs diz que, mesmo um evento pode causar efeitos negativos duradouros na saúde mental de uma criança. Confira o guia do cyberbullying da Avast ou o site da Knibbs* para mais orientações.

Autoimagem negativa

Já que estamos falando sobre impactos na saúde mental, muito tempo gasto em mídias sociais também não faz bem para os jovens, especialmente as meninas. Além de estarem mais vulneráveis ao cyberbullying descrito acima, a exposição constante a filtros e edições de imagens* pode levar a visão negativa do próprio corpo, tanto em meninas quanto em meninos.

É como os anúncios e fotos de revistas que os pais das gerações X e Y viam quando eram crianças. Muitos sabem sobre o impacto daquelas meninas super magras e rapazes musculosos na auto-estima dos jovens. Agora imagine o que poderia acontecer se alguém ficasse olhando para aquelas imagens por horas todos os dias. Não parece bom. 

Mas felizmente, da mesma forma que nos ensinaram para termos um olhar crítico para as imagens das revistas, podemos orientar as crianças a reconhecerem imagens online adulteradas e fora da realidade. A ONG inglesa Internet Matters* tem um ótimo guia para começar.

Solicitação sexual 

Infelizmente, o perigo de estranhos ainda é real no mundo online. E todo mundo sabe disso: 91% dos pais que participaram do estudo Geração Lockdown disseram estar preocupados com a possibilidade de “estranhos falarem e pedirem informações pessoais e imagens inapropriadas a seus filhos”. Mas somente 58% deles aconselharam seus filhos a não conversarem com estranhos. 

A discrepância é grande. É importante falar com as crianças sobre as pessoas que eles podem ou não conversar, mesmo que esse seja um assunto constrangedor. Porém, ao invés de assustar os filhos sobre todas as coisas ruins do mundo, Knibbs recomenda fazer algumas perguntas.

“Como você sabe que eles são seus amigos? Como você sabe que eles são o que estão dizendo? Como dá para saber isso?”, Diz Knibbs sugerindo questões a serem feitas às crianças. “O que estamos tentando fazer é encorajar o pensamento crítico, porque é isso que vai evitar que eles caiam em conversas suspeitas”, completa.

Vê a diferença? No lugar da tática do medo, que pode não funcionar em muitos casos, estamos adotando uma postura de ensinar as habilidades que as crianças precisam para navegar pela internet por conta própria. 

Exposição a conteúdo explícito

“A internet é um mundo para maiores de 18 anos”, diz Knibbs. E ela está certa. Ninguém estava pensando nas crianças durante a invenção da internet. Isso significa que aquele conteúdo adulto está sendo visto por jovens que ainda não têm capacidade de entender o que estão vendo. 

Algumas vezes, as crianças se deparam acidentalmente com conteúdo sexual porque estão curiosos sobre seus corpos. Em outros casos, amigos mostram coisas que só deveriam ser acessadas por adultos. Independentemente de como chegam lá, dá para dizer com um alto grau de certeza que as crianças irão ver pornografia muito cedo. De acordo com a ONG Enough is Enough*, hoje a idade média da primeira exposição a esse tipo de conteúdo é de 10,3 anos. Outros sites apontam 11, mas é uma informação baseada em estudos desatualizados, feitos em 2005. Considerando a relutância da maioria das crianças em falar sobre essas coisas com os adultos, essa idade pode ser ainda mais baixa.

Isso mostra a importância de incluir o assunto “conteúdo explícito” às aulas de educação sexual e “àquelas conversas” que os pais e mães devem ter com seus filhos e filhas. Se você não sabe por onde começar, confira esse guia incrível da organização Sex Positive Families*. Eles também oferecem um ótimo webinar* para ajudar você nesse processo;

Phishing

Phishing é um tipo de golpe online que manipula o comportamento humano para ganhar acesso a informações importantes, como senhas e dados bancários. Por exemplo, um e-mail phishing pode se parecer com um pedido legítimo do seu chefe por uma cópia dos seus documentos, mas que, na verdade, se trata-se de um e-mail falso enviado por um cibercriminoso. 

Mesmo que o phishing seja uma invenção da década de 1990 - os primeiros golpes desse tipo* apareceram no AOL, provedora de internet nos EUA, em 1995 - hoje eles são um dos principais problemas da internet. Infelizmente, a possibilidade de ser vítima de um golpe phishing é maior entre os mais jovens do que entre os adultos. De acordo com a ONG Get Safe Online, 11% dos jovens abaixo de 25 anos já foram vítimas de um golpe phishing*, enquanto entre os adultos acima de 55, essa marca fica em 5%.

Por enquanto, a melhor arma para proteger as crianças contra isso é a educação. Um estudo de 2017 mostra que ensinar as crianças como identificar golpes phishing* mostrou ser uma forma efetiva de reduzir o número de vítimas de golpes, mas somente no curto prazo. Isso sugere ser preciso abordar o assunto com frequência. 

Assim como na vida real, o mundo online apresenta certos perigos que provavelmente vão aparecer na frente dos seus filhos. Isso é assustador, mas também é uma oportunidade de lembrarmos que, como pais, é importante orientar os filhos nos dois mundos. Você só precisa de um pouco de informação e coragem, além de muita conversa.


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* Original em inglês.