Porquê não é um alívio saber quem está por trás do bitcoin

Lisandro Carmona de Souza, 10 Maio 2016

Muitos proprietários de bitcoins devem ter respirado aliviados na segunda-feira ao saber que o inventor do bitcoin foi finalmente revelado.

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O empresário australiano Craig Steven Wright é, na verdade, Satoshi Nakamoto
(Imagem: Wall Street Journal)

Finalmente soubemos quem foi o inventor do bitcoin! Espere, não vá tão depressa. De fato, ainda não sabemos nada.

Na semana passada, os noticiários publicaram que o empresário Craig Steven Wright é, na prática, “Satoshi Nakamoto”, o conhecido pseudônimo do criador da moeda digital bitcoin. As notícias estavam no ar por menos de um dia quando outra veio indicando que tudo poderia ter sido uma fraude. Em concreto, a forma que Wright utilizou para provar que possuía a chave de criptografia utilizada nas primeiras transações com bitcoin não era correta e não prova que Craig Wright seja um dos cérebros por trás do bitcoin. Agora, Wright anunciou que irá entregar mais provas.

Mas, por que isto é tão importante? Por que a internet toda está louca com as especulações sobre o criador do bitcoin?

Muitos proprietários de bitcoins devem ter respirado aliviados na segunda-feira ao saber que o inventor do bitcoin foi finalmente revelado.

Por quê? Primeiramente, é um grande mistério quem criou um sistema de pagamento de sucesso e uma moeda digital do nada. Foi uma única pessoa ou uma identidade virtual de um grupo de pessoas? Satoshi Nakamoto conduziu o desenvolvimento do bitcoin até se tornar uma comunidade em 2010 e há sinais de que ele tenha saído de cena. Por que ele fez isto? Ele queria se proteger ou garantir a sobrevivência do projeto?

Outra razão é que se acreditava que Satoshi Nakamoto possuía cerca de 1 milhão de BTC, o que equivaleria a cerca de 250 milhões de dólares com as taxas de câmbio atuais. Existem cerca de 15,5 milhões de bitcoins em circulação, o que significa que se for verdade o que Satoshi está dizendo, ele possuiria 6% de todo o mercado. Há um limite de aproximadamente 21 milhões de bitcoins e, neste caso, ele possuiria pouco menos de 5% de todos eles. A pergunta é se Satoshi ainda está controlando estes bitcoins. Não seria tudo uma simulação? Poderia ele possuir 450 milhões de dólares e arcar com todas as consequências que isto poderia ter?

Adoraríamos saber as respostas destas perguntas e de outras mais, e esta é a verdadeira razão pela qual as pessoas procuram o criador do bitcoin. Se for verdade que Craig Wright seja realmente o criador do bitcoin, será possível conseguir as respostas. Agora sabemos que a sua prova era falsa. Já houve várias pessoas que disseram ser Satoshi, com mais ou menos sucesso. Até agora, nenhuma delas foi capaz de dar provas suficientes que justificasse as suas alegações.

Os usuários do bitcoin não são apenas aqueles interessados em tecnologia. Os cibercriminosos também utilizam o bitcoin.

O bitcoin é uma moeda digital que se difundiu pela internet desde 2009. As moedas tradicionais como o dólar ou o euro podem ser convertidas em bitcoins e depois disso a moeda digital pode ser utilizada em transações online.

O bitcoin é popular em vários grupos de consumidores. As transações online podem ser feitas de forma rápida e fácil. Além disso, é possível enviar e receber dinheiro sem revelar nenhum dado pessoal, o que dá aos usuários uma grande sensação de segurança.

Infelizmente, a mesma privacidade e forma anônima de operar também é apreciada pelos criminosos. Quando você lê notícias sobre ransomwares, vai perceber que os criadores destes malwares exigem o pagamento de resgates em bitcoins. Além disso, é a moeda preferida dos porões da internet, permitindo que as pessoas vendam e comprem qualquer coisa: armas, drogas, malwares e até ciberespionagem, pois através dos bitcoins conseguem manter-se invisíveis às autoridades legais. Isto não é novidade: a história nos mostra que os avanços tecnológicos podem ser usados para o bem ou para o mal.

Enquanto a identidade do fundador do bitcoin permanecer um mistério, só nos resta a curiosidade e acompanhar as novelas sobre o assunto.

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