Segurança Cibernética

Conversas da geração Z: a nova rede social Clubhouse

Monika Sekal, 12 Fevereiro 2021

Uma plataforma social exclusiva de voz está conquistando o mundo. Como ela está se saindo em termos de segurança?

Se você nunca ouviu falar dela, não se admire. Parte do seu charme é a sua exclusividade: cada usuário pode convidar apenas mais dois amigos para a plataforma. Além disso, o aplicativo está disponível apenas no iPhone* e em alguns países: os usuários do Android terão que esperar mais alguns meses. Para alguns entusiastas, a restrição é até um motivo para trocar o seu smartphone para iOS. Por que a plataforma é tão atraente para os usuários?

O que é a Clubhouse?

É uma rede social de voz onde você pode conversar ou ouvir seus empreendedores e influenciadores favoritos, e até falar com eles! Ou entrar em uma conversa descontraída sobre o seu assunto favorito. No ato da inscrição, cada usuário receberá a atribuição de dois convites para seus amigos. Ele pode convidar quem queira, por isso não é uma surpresa que já tenha surgido lojas com convites para a Clubhouse.

Repare que ele é apenas para iPhone, no Android você encontra um aplicativo com o mesmo nome, mas com um foco completamente diferente, no gerenciamento de projetos.

Depois de instalado, o aplicativo vai solicitar para acessar todos os seus contatos, mas você pode negar a permissão. A Clubhouse funcionará perfeitamente para você, apenas com a diferença de que os telefones dos seus contatos não estarão visíveis na internet.

Depois de se registrar, você pode participar das conversas. Elas acontecem em rooms, ou seja, em salas, salões, grupos de discussão. A aparência específica das entrevistas depende do moderador da sala. Muitas vezes as pessoas gritam na plataforma, enfrentam problemas técnicos e o moderador não consegue direcionar o debate.

Por outro lado, o debate está se tornando mais sofisticado e factual a cada dia. Por enquanto, a Clubhouse é um território dominado principalmente por bolhas sociais de profissionais de marketing, empresários e jornalistas. Apesar da exclusividade, os usuários estão crescendo rapidamente, então os tópicos estão se diversificando gradativamente. Como em outras redes sociais, você só precisa encontrar o que lhe interessa.

A Clubhouse pode se tornar um lugar de disseminação de desinformação e reunião de grupos extremistas?

Vai depender dos usuários, principalmente dos moderadores das discussões. Eles decidem sobre o tema da discussão, se qualquer pessoa pode entrar na sala ou apenas os convidados. O moderador também seleciona usuários que podem participar da chamada.

Se houver um debate extremista e o usuário não quiser intervir com razoabilidade, ele pode informar à plataforma. Nesses casos, a Clubhouse armazena temporariamente a gravação de áudio e avalia a reclamação com base nela. No entanto, os próprios usuários não devem gravar ou distribuir a gravação de voz.

De acordo com as regras da plataforma, todo usuário deve informar seu nome verdadeiro, nomes falsos são proibidos. Se essa regra fosse seguida, o número de debates inadequados provavelmente seria significativamente menor, pois os extremistas não seriam capazes de se esconder atrás de falsos perfis. No entanto, não é difícil de imaginar que os usuários contornem a proibição, por exemplo, usando a tecnologia deepfake.

Como funciona a privacidade na Clubhouse?

Muitos elogiam a nova rede social, graças ao pequeno número de usuários, eles ainda estão evitando desinformação e discurso de ódio da rede. Esperamos que continue assim. De qualquer forma, especialistas em privacidade alertam que:

  1. Para enviar convites, os usuários precisam compartilhar todos os telefones dos seus contatos e não há meio-termo. Isso significa que a Clubhouse tecnicamente pode analisar suas conexões e construir o seu perfil de relacionamento.
     
  2. O menu de convites mostra até mesmo o número de pessoas n Clubhouse que têm um determinado contato em sua lista (“João tem 50 amigos na Clubhouse - convidar?”).
     
  3. Aparentemente, abundantes dados do usuário podem ser extraídos de uma só vez, usando a API. Especialistas conseguiram enviar milhares de solicitações ao servidor antes de terem sido retardados por alguns minutos. Afirmam que bastaria um final de semana para baixar os dados de todos os atuais 2,8 milhões de usuários.
     
  4. Também parece haver uma maneira de salvar e compartilhar o áudio em alta qualidade diretamente do aplicativo usando um iPhone desbloqueado. A gravação de tela também parece funcionar normalmente.
     
  5. O processo de registro inclui um código de 4 dígitos que é enviado ao iPhone dos usuários. Eles então têm 15 chances de inserir o código correto até que a Clubhouse bloqueie a conta. Cibercriminosos podem encontrar uma maneira de assumir o controle das contas através de ataques de força bruta.
     
  6. Os tokens que são associados a uma conta durante o processo de registro nunca são alterados. Outras pessoas podem obter acesso a esse token e assumir o controle das contas.

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* Original em inglês.