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As aventuras de snowkite de uma cientista de dados da Avast

Jeff Elder, 12 Setembro 2019

Monika Seidlova deixa a cena tecnológica de Praga um pouco para trás para se aventurar em uma península norueguesa e praticar o esporte que ama.

Monika Seidlova é uma cientista de dados dedicada e focada. “Quando o assunto são dados, dá para ficar o dia todo analisando cada detalhe das informações”, conta a funcionária da Avast, que trabalha na sede da empresa, em Praga, na República Tcheca. “Por um lado isso é bom, porque sempre há um jeito novo de olhar para as coisas. Mas por outro, você nunca tem aquela satisfação de sentir que as coisas estão sendo feitas”. Esse é um trabalho que exige disciplina.

Mesmo sendo uma profissional aplicada, de vez em quando ela deixa o trabalho de lado para atirar-se ao vento e deslizar por longos campos cobertos de neve. “Eu me apaixonei por um esporte”, revela Monika com um certo brilho no olhar. “Ele se chama snowkite”.

Uma espécie de kitesurf da neve

O snowkite lembra muito o kitesurf, aquele esporte em que os surfistas usam uma asa parecida com uma pipa para arrastá-los pela superfície da água e atirá-los ao ar em saltos radicais. A diferença é que ao invés de uma prancha no mar, os snowkiters “surfam” na neve em cima de esquis ou snowboards. Presos à asa, os esportistas comandam a direção com suas mãos, esquiando tão rápido em terreno plano como se estivessem indo ladeira abaixo. Assim, os snowkiters podem percorrer grandes distâncias usando apenas a força da natureza e curtindo o espetáculo das paisagens.

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Imagine a cena:

“Gosto de ir a uma península no norte da Noruega. Lá, nós percorremos centenas de quilômetros de campos cobertos de neve antes de encontrar uma única estrada cruzando o caminho. Tudo o que precisamos precisa ser trazido conosco: trenó, barraca, saco de dormir, fogão. É uma verdadeira expedição. O equipamento segue no trenó e vamos puxando tudo com o esqui e a asa. Quando o vento acaba, desempacotamos tudo e montamos nosso acampamento”.

A mágica que vem do céu

E o que acontece quando se está em algum ponto perdido no círculo polar em uma península ao norte da Noruega? Bem, algumas vezes a surpresa está bem em cima da sua cabeça.

“Isso aconteceu na primeira noite de uma das viagens que fiz até lá. Passamos o dia inteiro praticando snowkite. Estávamos tão cansados e resolvemos levantar nosso acampamento. De repente, vimos uma nuvem verde e estranha no horizonte. E de repente aquilo se tornou um espetáculo deslumbrante no céu: era a aurora boreal. Eu fiquei ali só olhando aquilo, com medo de que aquele espetáculo da natureza pudesse acabar muito rápido. Não dá para saber quanto tempo uma aurora boreal vi durar. Pode ser 10 segundos ou 20 minutos. Então, mesmo estando literalmente congelando de frio, eu fiquei ali, encantada com tudo o que estava bem acima de mim”.

Durante o dia, Monika e seus amigos – um deles também funcionário da – percorriam dezenas ou até mesmo centenas de quilômetros, se o percurso assim o permitisse, puxando seus equipamentos com o trenó. Certa vez, ela chegou a alcançar uma velocidade de 75 km/h quando o vento começou a puxá-lo. “Às vezes, o snowkite pode ser um pouco perigoso”, diz ela, explicando que sempre usa capacete para garantir sua segurança.

“Você ganha uma perspectiva única da paisagem que não teria se estivesse explorando a região de outra maneira. É fantástico. É a liberdade em sua plenitude total”.

Os benefícios dessa aventura são tantos quanto os flocos de neve no norte da Noruega. Você pode esquiar subindo a montanha ou em uma neve fresca e macia. Também dá para deslizar o dia todo pelos campos. “Você vê uma montanha no horizonte e, então, ela vai ficando mais perto. Quando percebe, você já está passando por ela para, no momento seguinte, deixá-la para trás. Você ganha uma perspectiva única da paisagem que não teria se estivesse explorando a região de outra maneira. É fantástico. É a liberdade em sua plenitude total”. 

Seu trabalho na Avast permite que ela possa tirar um mês por ano para se dedicar à sua paixão e ensinar novatos a praticarem o esporte. “As pessoas aqui sabem o quanto isso é importante para mim”.

Mas o que acontece quando ela volta de uma sessão de snowkite e vai direto para a análise de dados? “Acho que o esporte me dá uma perspectiva diferente do mundo e do meu trabalho”.

Talvez a pureza da neve nunca chegue à ciência de dados. Afinal de contas, é muito difícil manter os dados “imaculados” e “livres” de qualquer influência. Mas eles também podem ser tão abrangentes e cheios de maravilhas se você se abrir para isso.

A importância da imparcialidade

“Entendo que as pessoas queiram sumarizar dados complexos em um ou dois números. Afinal de contas, quem é que gostaria de se meter no meio de todas essas informações? Infelizmente, analistas de dados sempre podem manipular as informações para extrair o significado que quiserem deles. E isso é perigoso. Em nosso trabalho, sempre procuramos a certeza de que estamos retratando os dados da forma mais clara possível. É uma questão ética. É importante ser imparcial com aquilo que analisamos, especialmente quando o assunto é cibersegurança, onde tanta coisa pode estar em risco”.

“O melhor é contemplar a enormidade dos dados”, diz Monika, “com a ambição de uma exploradora audaciosa. Você aprende a desenvolver esse poder e confiança para aprender com a imensidão e pureza da paisagem que surge à sua frente”.

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