David Strom, 13 de Agosto de 2021 21h1min2s CEST
David Strom, 13 de Agosto de 2021 21h1min2s CEST

Analisando as pessoas influentes, plataformas e componentes primários dentro do ecossistema NFT

Ultimamente, os tokens não fungíveis (NFT) dominaram o mundo da arte. Vamos tentar entender o que este método de rastreamento da propriedade de vários bens digitais é e o que ele significa para as pessoas que ainda lidam (principalmente) com o mundo físico. E se ainda resta alguma dúvida de que os NFT agora estão incorporados à nossa cultura popular, há um esquete recente do show Saturday Night Live* que tenta explicar por que eles são importantes.

O mundo de NFT é o mundo de criptomoedas, blockchains, contratos digitais inteligentes e outras ícones da tecnologia. Mesmo se você acha que entende o que cada uma dessas coisas significa isoladamente, esse conceito pode estar difícil de entender. Um bom lugar para começar seria essa visão geral da Ars Technica. O artigo descreve vários lugares onde os NFT estão sendo usados como a tecnologia-chave, incluindo: 

  • Itens colecionáveis que não podem ser forjados e possuem identificação única

  • Personagens de videogame e outros add-ons que oferecem prova de propriedade para que possam ser negociados entre diferentes empresas de jogos e proprietários

  • Negociando remessas de durian através da cadeia de suprimentos*

  • Um protocolo de nomeação de domínio descentralizado chamado de Ethereum Name Service* que pode ser usado para rastrear o conteúdo digital.

O artigo da Ars Technica menciona que os NFT são “mais parecidos com aquelas escrituras que afirmam tornar você o “proprietário” de uma estrela no céu noturno”. (Infelizmente, quando era jovem e inexperiente, cai uma vez nesse golpe e “fiz a compra” para um amigo. Foi uma compra divertida, embora bem inútil.)

Outro ponto que mostra como os NFT cresceram são sites que acompanham e negociam as compras de NFT, incluindo CryptoSlam*, opensea.io*, dappradar* e nFungible*. O mercado geral agora é avaliado em várias centenas de milhões de dólares. Esse mercado cresceu recentemente quando a casa de leilões de arte Christie’s vendeu uma única obra de arte por US$ 69 milhões*.

O que chama atenção aqui é que o artista Mike Winkelmann, até o último outono, nunca vendeu nenhuma de suas obras por mais de US$ 100. Com o título Everydays: The First 5000 Days, ela é uma obra totalmente digital - ou, para ser mais preciso, uma colagem de várias imagens digitais. O comprador recebeu um registro digital da obra, mas não o arquivo gráfico em si. A parte interessante da venda foi o processo de lances, típico de um item colecionável valioso no eBay: o leilão tinha que ser prorrogado por vários minutos, porque dezenas de compradores esperançosos davam lances de última hora. Até parecia que estavam dando lances para uma obra “analógica” de Da Vinci ou Degas. Ou nomeando uma estrela popular.

O jornal The New York Times documenta algumas das outras cripto-obras de arte* que foram recentemente vendidas pelo preço de vários milhões de dólares (as transações reais normalmente acontecem via Ethereum). 

Um colecionador de arte analógica comentou sobre a venda feita pela Christie’s: “Na arte, não se trata mais de um relacionamento com um objeto. Trata-se de ganhar dinheiro”, disse ele. “Tenho pena da arte.” Como o proprietário de algumas peças analógicas, eu tenho que concordar. Mas não se trata apenas da arte digital: no site de negociação Valuables, um comprador da Malásia chamado Sina Estavi comprou o NFT do primeiro Tweet do CEO do Twitter, Jack Dorsey, por US$ 2,9 milhões. Vale a pena lembrar que qualquer um de nós pode ver esse Tweet a qualquer momento, fazendo uma pesquisa rápida e até mesmo pode salvar uma captura de tela no nosso HD local. Houve também uma coluna no jornal The New York Times sobre os NFT escrita por Kevin Roose, que foi vendida em um leilão on-line* pelo preço equivalente a US$ 500.000.

Se você é um artista digital, com certeza deve ler mais sobre o mercado dos NFT neste post no GitHub*, que discorre sobre algumas das pessoas influentes, explica onde você pode comprar outras obras de arte baseadas em NFT, como as várias peças de tecnologia se encaixam e outros componentes deste ecossistema. Tim Schneider escreve esse artigo excelente* sobre a evolução da criptoarte e menciona quatro questões importantes e não resolvidas:

  • Quem é o proprietário real da obra? Como mencionei, essas obras estão, na verdade, vendendo licenças e descrições digitais, mas não os bits da própria arte digital. A arte é hospedada em outro lugar. O que acontece se o provedor de hospedagem desaparecer? Ou se a sua carteira digital estiver comprometida?

  • Os gatekeepers serão membros do mesmo clube ou terão uma chance de descentralizar e diversificar? Em outras palavras, existe uma oportunidade para plataformas de tecnologia sustentáveis e de base de se estabelecerem, encorajando um mundo de arte mais pluralista?

  • Os colecionadores serão esses mesmos poucos ricos? A interação entre gatekeepers e colecionadores terá grande importância para o futuro sucesso do mundo da criptoarte.

  • O antigo sistema beneficiava o colecionador na revenda da arte. Os sistemas baseados em criptomoedas podem beneficiar o artista, já que podem rastrear a propriedade para sempre? Mas, embora o uso dos contratos inteligentes existentes baseados em ETH seja um passo na direção certa, ele é apenas um pequeno passo. A maioria desses contratos não contém cláusulas de revenda/redistribuição. O Mint Fund está tentando resolver isso de maneira diferente: com subsídios, ajuda aos novos artistas no começo da carreira e tentativas de diversificar os criadores além do eixo atual.

Esse último ponto merece uma discussão mais aprofundada. Sara Ludy é uma artista NFT. Ela escreveu contratos inteligentes que estabelecem o acordo de compartilhamento de receita para suas obras, agora e para sempre. Ela fica com a metade de qualquer venda, 15% vão para o criptomercado/criptoplataforma escolhido para venda e os 35% restantes vão para sua galeria, onde é dividido de maneira igualitária entre os funcionários. Isso significa que, à medida que o preço da obra de arte aumenta, todos mantêm uma parte de lucro. A venda de NFT na Christie’s, que mencionamos acima, beneficiou apenas o último proprietário da obra, que nem sequer era o artista. 

Os NFT também estão sendo usados para mudar a experiência do museu (quando pudermos retornar a museus pessoalmente). Frances Liddell* os tem usado para coletar diferentes narrativas de frequentadores de museus e usa essas informações para melhorar a relevância para vários públicos. 

A primeira obra de arte que comprei era uma série de fotos do tribunal do condado tirada por William Clift em 1976. Por muitos anos, elas eram em minha posse e, supostamente, eram valiosas. Porém, quando não consegui encontrar um comprador, decidi doá-las a um museu*. Esse link que comprova a doação, igual ao “proto-Tweet” de Dorsey, está disponível quase instantaneamente a qualquer pessoa que tem um navegador e faz uma busca. Isso destaca dois pontos importantes: a) ainda temos um longo caminho a percorrer antes que os NFT possam ser tecnicamente sólidos, e b) qualquer leilão requer compradores e vendedores.

Nem mesmo o artista digital Winkelmann está convencido quando se trata dos NFT. “É uma bolha, para falar a verdade,” ele disse à NPR*. “Acho que um monte de gente virá a este espaço. Muitas coisas que as pessoas estão transformando em NFT não prestam e essas coisas não manterão o valor”.