Segurança Cibernética

Big Brothers podem estar espionando o seu WhatsApp e Google Hangouts graças ao Stagefright

Lisandro Carmona de Souza, 11 Agosto 2015

Big Brothers podem estar espionando o seu WhatsApp e Google Hangouts graças ao Stagefright

Na semana passada, pesquisadores de segurança revelaram uma falha que, segundo se acredita, pode ser a pior falha do Android já descoberta. O bug "Stagefright" deixa vulneráveis a malwares cerca de 1 bilhão de aparelhos Android. A falha foi encontrada na "Stagefright", uma biblioteca de mídia do Android. Os hackers podem obter acesso ao aparelho através desta falha, ter acesso aos contatos e outros dados, incluindo fotos e vídeos, além de poder acessar o microfone e a câmera do aparelho e, portanto, espionar você gravando som e tirando fotos.


Todos os aparelhos rodando as versões 2.2 (Froyo) à 5.1.1 (Lollipop) são afetados, o que significa aproximadamente 95% de todos os aparelhos Android.


A parte assustadora é que os hackers precisam apenas do seu número de telefone para infectar você. O malware é distribuído através de uma mensagem multimídia enviada por qualquer aplicativo de mensagens que consiga processar o formato de vídeo MPEG4 como, por exemplo, o aplicativo de mensagens nativo do Android, o Google Hangouts e o WhatsApp. Como estes aplicativos de mensagens recebem automaticamente conteúdo em vídeo e áudio, o código malicioso é executado sem que o usuário tenha feito nada de errado: a falha não exige que a vítima abra a mensagem ou clique em um link.


Isto é uma coisa única, pois o malware móvel geralmente requer que alguma ação seja feita para que consiga infectar o aparelho. O malware também pode se espalhar através de links que podem ser enviados por email ou compartilhados nas redes sociais. No entanto, vai ser necessário que o usuário clique no link para abrir o vídeo. Esta falha é extremamente perigosa, porque se for utilizada por hackers via MMS, as vítimas não precisam fazer nada nem vão perceber nada de estranho. O hacker poderá executar o código e remover todos os vestígios de que o aparelho foi comprometido antes de que as vítimas saibam que o aparelho foi hackeado.

O paraíso dos cibercriminosos e ditadores




Os cibercriminosos podem tirar vantagens desta falha para espionar coletivamente milhões de pessoas e até executar códigos maliciosos. Governos repressivos podem espionar as pessoas e os seus inimigos. A falha, no entanto, também pode ser utilizada para espionagem que não seja política. Hackers podem espionar facilmente algumas pessoas, como a própria esposa ou seu vizinho: tudo o que eles precisam saber é o número de telefone da vítima. Também podem roubar informações pessoais e causar dano a milhões de pessoas. As possíveis consequências desta falha precisam ser consideradas com toda a seriedade.

São precisas medidas urgentes




Correções completas precisam ser fornecidas pelos fabricantes de aparelhos móveis, atualizando automaticamente, over-the-air (OTA), todas as versões Android a partir da 2.2. Infelizmente, as atualizações para os aparelhos Android levam um tempo muito longo para chegar aos usuários. Talvez os fabricantes devessem reagir mais rápido neste caso. A Google já se pronunciou. A HTC disse à revista Time que "a Google informou à HTC sobre o problema e forneceu as correções necessárias. A HTC irá disponibilizar atualizações a partir de julho. Todos os projetos ativos serão corrigidos".

Até que surja uma atualização, o que você pode fazer para se proteger?




Recomendamos aos usuários, por precaução, que desativem momentaneamente o recebimento automático das MMS nas configurações do seu aplicativo de mensagens. Siga as instruções passo a passo para fazer isto nos diversos aplicativos de mensagens para Android (em inglês).


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