Segurança Cibernética

Rifles de precisão: a Internet das Coisas controlada por hackers

Lisandro Carmona de Souza, 9 Agosto 2015

Rifles de precisão: a Internet das Coisas controlada por hackers

via Wiredvia Wired



Para aqueles de vocês que seguem a evolução tecnológica, podem acrescentar rifles de alta precisão na lista que cresce de dia para dia das Coisas que podem ser hackeadas. A falha que permitiu a dois pesquisadores de segurança entrar dentro do sistema de mira do rifle é a mesma que permite que hackers tenham acesso a monitores de bebês e roteadores domésticos. Dito de forma simples: uma senha WiFi padrão que o fabricante impede a mudança e que permite a qualquer pessoa na redondeza se conectar. O limite típico é de 46 m dentro de casa e 92 m ao ar livre.


Antecipando-se à conferência Black Hat, os pesquisadores de segurança Runa Sandvik e Michael Auger mostraram que é possível hackear armas de fogo de precisão (TrackingPoint).


Os rifles TrackingPoint podem transformar um novato em um atirador de elite. Tudo isto graças aos sensores computacionais que incluem giroscópios e acelerômetros que levam em consideração todos os fatores que o atirador deve ter em conta: vento, velocidade do alvo, distância, orientação do atirador, calibre da munição e até a curvatura da Terra.


Perguntamos a Steve Ashe - um veterano das operações Desert Storm e Desert Shield que trabalhou junto com os atiradores de elite - o que ele pensa desta tecnologia. "Atiradores de elite devem ser excelentes em qualidades físicas e mentais e seus limites estão além do que podem atingir a maioria das pessoas. Este tipo de rifle nunca pode substituir estas capacidades pessoais. Além de serem os melhores atiradores, devem estar em excelentes condições físicas, capazes de fazer cálculos complicados de cabeça, ótimos em orientação em solo, perseguição e estimativa de distância".


Uma das funções do rifle TrackingPoint é a capacidade de gravar um vídeo do disparo e compartilhá-lo com outro aparelho conectado via WiFi. É a conexão via WiFi que se tornou o ponto fraco. A rede WiFi do rifle possui uma senha padrão que não pode ser alterada.


Steve AsheSteve Ashe, veterano da Desert Storm, com um rifle que não pode ser hackeado.



Sandvik e Auger disseram à revista Wired que desenvolveram um conjuto de técnicas que permite a um hacker comprometer o rifle através da sua conexão WiFi, manipulando o seu software interno. Eles provaram que alterando uma das variáveis listadas acima pode provocar que o tiro não atinja o seu alvo ou mesmo impedindo completamente o uso da arma. O rifle TrackingPoint tem um alcance de 1.600 metros.


"Um atirador treinado está constantemente ajustando estes parâmetros. Naturalmente, uma coisa que eles sempre procuram é conseguir acertar alvos distantes", disse Ashe.


A boa notícia é que os hackers não conseguem disparar a arma por si mesmos: isto ainda requer um dedo real puxando o gatilho.


As especulações em torno das consequências deste hackeamento de Sandvik e Auger são óbvias. Com aplicativos militares e policiais, deixar o controle da trajetória de uma bala a terceiros ou travar a arma pode causar a ruína de uma missão.


"Os rifles computadorizados ainda não fazem parte das unidades policiais ou militares, ainda que esteja sendo testado. Mas você sabe, as coisas levam mais tempo na estrutura militar. Os Marines não atualizam os seus rifles de precisão há 14 anos. Não parece que um hacker vai se tornar uma ameaça em breve", disse Ashe.


Ainda bem que apenas 1.000 rifles TrackingPoint foram vendidos e a empresa não está mais produzindo a arma.


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