Notícias corporativas

CEO da Avast fala sobre as agências de espionagem americanas e inglesas

Lisandro Carmona de Souza, 11 Julho 2015

CEO da Avast fala sobre as agências de espionagem americanas e inglesas

Sempre que houver um governo, haverá agências de espionagem. E sempre que houver agências de espionagem, elas farão espionagem. Agências de espionagem sempre procuram formas de obter informações: algo que sempre foi e sempre será valioso. Avast CEO, Vince Steckler




Novos documentos dentre os muitos que foram vazados pelo ex-analista da inteligência americana, Edward Snowden, foram publicados na semana passada no The Intercept. Eles revelam que a Agência de Segurança Nacional americana (NSA) e a sua colega britânica, Government Communications Headquarters (GCHQ), espionaram as empresas de segurança Avast, AVG, Kaspersky Lab e Antiy. As agências de espionagem parecem ter colocado o alvo em empresas de fora dos Estados Unidos: a Avast e a AVG têm sua sede em Praga, na República Checa; a Kaspersky está em Moscou, Rússia e a Antiy é chinesa. Estas empresas têm juntas quase um bilhão de usuários. Nenhuma empresa americana ou inglesa foi incluída na lista.

"Geopoliticamente falando, faz sentido que a NSA e o GCHQ coloquem seus alvos em produtos utilizados majoritariamente por governos estrangeiros, como o Kaspersky na Rússia ou o CheckPoint em Israel", disse Steckler em uma entrevista à RT News. "Em resposta, as agências de espionagem russas e chinesas podem colocar os seus alvos em produtos com grande número de usuários no governo dos Estados Unidos, por exemplo, a Symantec e a McAfee. Estamos ouvindo apenas um lado da história".




É sabido que técnicos da NSA e do GCHQ utilizam engenharia reversa nos programas antivírus para manejá-los e evitar que detectem a sua própria espionagem.

"É difícil de dizer se a NSA, o GCHQ ou outras agências governamentais tentaram fazer engenharia reversa em nosso software", disse Steckler. "Mesmo se o fizeram, eles apenas vão poder fazer isto do lado do usuário, o que significa incluir padrões simples de detecção. Contundo, eles não podem ter feito engenharia reversa do nosso lado, o que incluiria a nossa sofisticada tecnologia de detecção e classificação".




Os documentos tam.bém revelam que as organizações recomendam o monitoramento dos usuários que tiveram malware detectado "para saber se estavam envolvidos em atividades mais perigosas".


Enquanto algumas empresas estão mais propensas a se aliar com os governos dos seus países de origem, isto não é algo que a Avast faz.

"O fato de que a NSA possa ter-nos como alvo quando algumas das maiores empresas de segurança americanas e britânicas ficaram fora das suas listas prova que não cooperamos com a NSA e com o GCHQ", disse Steckler. "Os que não estão na lista muito provavelmente forneceram o seu código fonte e, por isso, não há necessidade de engenharia reversa. O nosso compromisso com os nossos usuários é fornecer proteção contra todas as formas de espionagem."




Vince Steckler falou à RT News, uma rede de televisão russa, sobre as novas revelações. Assista à entrevista agora: